A interceptação direta (membro que defende sobre membro que ataca) não deve ter sentido no Karate-Do, a não ser que o defensor seja um rinoceronte e o atacante seja uma gazela, objetivando dessa forma colocar o adversário fora de combate pela destruição pura e simples. Como o seu colega de treino da academia não é seu inimigo (pelo menos espera-se que não), é bom que ele mantenha a sua integridade fÃsica para que ele não deixe de comparecer aos treinos e continue te ajudando a evoluir, assim como você também o ajuda a se desenvolver. Então, é preciso haver uma forma de defender que seja mais eficiente sem ser prejudicial, tanto para quem defende quanto para quem ataca. É aà que a técnica de esquiva e de contato sem interceptação com direcionamento do membro do atacante se faz valer - é o princÃpio do "mole" em contraponto ao "duro". Para exemplificar, tomemos um uchi-uke (soto-uke p/o Shotokan) defendendo um oi-zuki. No caso de uma interceptação direta, o defensor bate com o lado externo do ante-braço diretamente no lado externo ou interno do ante-braço do atacante, correndo o risco de provocar uma fratura tanto em si quanto no adversário, dependendo, obviamente, da força e da resistência de cada praticante. Já no caso do princÃpio "mole" x "duro", o defensor usa o lado externo do ante-braço para desviar o braço do atacante dirigindo-o para fora da trajetória, claro, com o uso da rotação do quadril e do tronco para facilitar esse desvio. Neste caso, desde que seja utilizado o timing correto (que se consegue com bastante treinamento), realiza-se a defesa sem que os praticantes se machuquem, pois não há choque direto dos braços. E, como bônus, o adversário atacante é induzido ao erro e é colocado por um curto intervalo de tempo em uma posição suficientemente frágil para que um contra-ataque seja efetuado. Técnicas análogas podem ser utilizadas em vários outros tipos de defesa, sem que seja necessário correr riscos. Observe-se que isso não quer dizer que o treinamento com o makiwara e com o sunatawara devam ser abandonados. Ainda é necessário que o karate-ka tenha que ter o seu corpo devidamente condicionado para a prática do Karate-Do, aumentando a capacidade de atingir pontos duros (makiwara) e pontos pesados que desviem o objetivo (sunatawara). Só não se deve exagerar, é claro. Desenvolver calosidades monstruosas é uma prática anormal que, além de deixar as mãos e demais juntas anti-estéticas, ainda pode incorrer em sérios danos permanentes nas juntas e articulações que levam o praticante a um possÃvel e irremediável arrependimento.
Saudações
